Dislexia e TDAH: saiba a diferença e conheça seus sintomas

Publicado por:  Leonardo Lima

Dislexia é o termo cada vez mais presente entre os pedagogos e professores, pois hoje se sabe que algumas crianças que possuem muita dificuldade no aprendizado escolar têm o transtorno.

Ou seja, a dislexia é um transtorno de aprendizado, mas muitas pessoas acham que só crianças possuem. Isso é um engano, afinal, as crianças com a doença vão crescer, não é mesmo?

Outra questão onde muitas pessoas se enganam é associar os sintomas de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade) com os de dislexia, mesmo que as duas doenças causem problemas de aprendizado, seus sintomas são diferentes e devem ser tratados de modo diferente.

Por isso, abordamos neste texto alguns temas que te ajudarão a identificar a diferença entre dislexia e TDAH, além de conhecer um pouco dos sintomas de cada um e ver quais os tratamentos atuais para elas.

Então, se você quer conhecer um pouco mais sobre dislexia e TDAH para ajudar alguém a ter uma vida melhor e mais inclusiva, leia este texto até o fim, abordaremos os seguintes temas:

  • Definição de dislexia e transtorno de déficit de atenção
  • Sintomas da dislexia e TDAH
  • Tratamento da dislexia e TDAH
  • Disléxicos nas escolas: como eles devem ser tratados
  • Conclusão
  • Bônus: dicas para ajudar no aprendizado do disléxico

O texto completo tem um tempo de leitura estimado de 10 minutos, se tiver alguma dúvida sobre o que foi abordado, faça pergunta no campo de comentários. Boa leitura.

Definição de dislexia e transtorno de déficit de atenção

A dislexia e o transtorno de déficit de atenção são consideradas doenças comuns, ou seja, muitas pessoas possuem, mas por não conhecerem sobre elas e não procurarem ajuda médica, passam anos sofrendo sem saberem o porquê.

Além disso, as definições ou indefinições da dislexia não ajudam muito, no livro Dislexia em Questão, de Gisele Massi, a autora expõe as várias visões da ciência sobre o efeito da doença, acompanhe:

O que é dislexia

A dislexia tem algumas diferenças em suas definições: há explicação com abordagens organicistas onde cada especialidade médica tenta esclarecer as dificuldades na aprendizagem escolar da linguagem e da escrita, entre essas tentativas vemos de estudos neurológicos até estudos genéticos.

O fato é que todas as definições a tratam como um transtorno de aprendizagem. No Brasil, temos a ABD (Associação Brasileira de Dislexia) que adota a seguinte:

“A Dislexia do desenvolvimento é considerada um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração. Essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem e são inesperadas em relação à idade e outras habilidades cognitivas."

A ABD adota a definição da IDA — International Dyslexia Association, que também é da National Institute of Child Health and Human Development — NICHD.

Trocando em miúdos, a doença não diz respeito à inteligência, mas a capacidade de aprender a escrever e falar. Sendo assim, podemos ter verdadeiros gênios com dislexia, quer ver?

Famosos e gênios com dislexia

A dislexia nada tem a ver com “burrice”, pelo contrário, dizem que várias pessoas bem-sucedidas e até alguns gênios de nossa história foram disléxicos, veja alguns deles, as informações são do Curiosando:

  • Walt Disney: o sucesso da Disney é inegável, quem não conhece seus personagens?
  • Leonardo Da Vinci: todos o conhecem como pintor, mas ele foi escultor, inventor, poeta, músico e fez mais um monte de coisas.
  • Agatha Christie: escritora inglesa de grande sucesso.
  • Alexander Graham Bell: se você pode ligar para alguém hoje, você deve agradecer ao Sr. Bell.
  • Henry Ford: empresário, fundador da montadora de carros Ford.
  • Thomas Jefferson: terceiro presidente dos EUA.
  • Whoopi Goldberg: atriz e apresentadora americana.
  • Anderson Cooper: ele é um jornalista e escritor americano bem conhecido, um dos principais âncoras da CNN.
  • Woody Harrelson: ator, indicado ao Oscar três vezes.
  • Winston Churchill: político britânico com importante atuação na II Guerra Mundial.
  • Thomas Edison: empresário e inventor da lâmpada.
  • Pablo Picasso: pintor espanhol bem famosos, você conhece, certo?
  • Ozzy Osbourne: vocalista da banda Black Sabbath.
  • Steven Spielberg: cineasta premiado com Oscar.

Essas foram algumas das celebridades e gênios da história que tiveram ou têm dislexia. Com isso, podemos ver que a doença não impede que a pessoa seja bem-sucedida, pois pode fazer o que qualquer outra pessoa faz.

É claro que será mais difícil escrever um livro ou mesmo decorar algumas falas como atriz, mas não impossível. A escritora Agatha Christie e a atriz Whoopi Goldberg são provas disso.

O Dom da Dislexia, este é o título de um livro escrito por Ronald D. Davis, onde ele afirma que:

“A função mental da dislexia é um dom, uma habilidade natural, um talento.”

Ele diz ainda que os disléxicos utilizam seus dons mentais para alterar ou criar percepções, eles são altamente intuitivos e têm maior capacidade para insights, costumam ser mais curiosos que a média e pensam em imagens como um filme.

O que é TDAH

TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é normalmente confundido com dislexia, mas como você viu acima, a dislexia está diretamente ligado a escrita e a fala. Já a défict de atenção tem uma definição diferente, veja:

Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), o TDAH é um transtorno que ocorre no cérebro por causas genéticas, apresentando sintomas de desatenção e sintomas de hiperatividade, que vão da infância a vida adulta. Isso também dificulta a aprendizagem.

Por isso, os pais e professores precisam ter um cuidado a mais com quem tem TDAH, mas diferente do disléxico ele não tem dificuldades para aprender a ler ou escrever, a não ser para manter o foco enquanto escreve e lê e isso já é bem diferente.

Enquanto o disléxico fica confuso, aquele que tem déficit de atenção não sofre ou fica confuso ao se deparar com letras que não entende, por exemplo.

Sintomas da dislexia e TDAH

Dislexia: A definição de dislexia pode, por vezes, ser um pouco difícil, e além disso, é comum confundirem com TDAH, vamos ver quais são os sintomas da dislexia:

  • dificuldade de escrever e ler
  • problemas de concentração
  • coordenação motora não muito boa
  • dificuldade em fazer contas matemáticas
  • falta de concentração
  • dificuldade em se expressar
  • lentidão na leitura
  • troca de letras ou palavras

A pessoa disléxica, adulto ou criança, pode apresentar somente alguns sintomas, com menor ou maior intensidade. Ou seja, há pessoas que têm dificuldade de ler, mas não de escrever, vice e versa.

Por isso, quando mais rápido for feito o diagnóstico, melhor será para pessoa enfrentar seus transtornos, podendo lidar com eles sem passar por sofrimento e incompreensão.

Além disso, algumas pessoas confundem a dislexia com TDAH, como já dito, porque confundem os sintomas, já que ambos influenciam no aprendizado.

TDAH: o transtorno é incômodo para quem está próximo, mas dificilmente incomoda o paciente. A hiperatividade pode causar alguns problemas, mas diferentes da dislexia.

Os sintomas mais comuns deste transtorno são:

  • falta de atenção, tanto em atividades sérias como em atividades lúdicas
  • dificuldades para completar uma tarefa ou seguir instruções
  • perder objetos com facilidade
  • bater mãos e pés quando precisa ficar parado por um tempo sem fazer nada
  • inquietação a todo momento, precisa se levantar, andar de um lado para o outro
  • não ter paciência para atividades longas
  • se distrair facilmente, perdendo o foco em uma atividade ou conversa

Após o diagnóstico, que deve ser feito por um médico, inicia-se o processo de tratamento dos problemas ocasionados pela dislexia ou pelo TDAH, abaixo citamos alguns deles:

Tratamento da dislexia e de TDAH

A dislexia e TDAH não possuem cura, ou seja, o paciente deverá lidar com os sintomas por toda a vida, mas isso não precisa ser doloroso, a dislexia é tratada com o auxílio de diversos especialistas como fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos que ajudarão no processo de leitura, expressão escrita e falada.

Já TDAH pode ser tratado com terapias comportamentais e dependendo da intensidade do transtorno até com uso de medicamentos.

Os medicamentos ajudam no controle da hiperatividade, impulsividade e desatenção, podendo ser preciso até uso de antidepressivos. Por isso, o acompanhamento do médico é fundamental.

Disléxicos na escola: como eles devem ser tratados

A dislexia dificulta o aprendizado, mas não impede que a pessoa aprenda, por isso, os pais devem mandar seus filhos para escola normalmente. E não é preciso uma sala especial para portadores do transtorno. Eles podem e devem estudar com colegas sem a doença.

O que deve ser observado é a abordagem pedagógica que a instituição oferece ao disléxico. Os professores precisam tratá-los com mais atenção e elaborar métodos de ensino e avaliação específicos.

O professor Frederic Litto, da Escola do Futuro da USP, diz que o professor:

“deve ser um estimulador do prazer de aprender, um alquimista em fazer o aluno enxergar o “contexto” e o ”sentido” e, um especialista em despertar a autoestima”

Para isso, o professor deve:

  • valorizar os acertos do aluno
  • ajudar na organização e estruturação do ambiente em que se está
  • estimular a criação de uma agenda de lembretes e recados
  • permitir que consultem fórmulas e usem calculadoras nas avaliações
  • se for preciso, deixe o aluno usar gravador para não precisar escrever tudo que é dado em sala
  • dar orientações claras e objetivas e verificar se ele entendeu.

A pessoa com dislexia tende a associar as palavras a coisas reais, então quando você usa metáforas e palavras abstratas elas podem ficar confusas. Elas podem até apresentar tontura e desconforto ao forçar o entendimento.

Na leitura, por exemplo, há palavras em que quem tem dislexia não consegue formar imagens e como ele não pode criar imagens delas, ele fica confuso. Por exemplo:

Elefante é uma palavra que se pode criar uma imagem mental, então ela não causa confusão, mas as palavras “de", "o", "a", "por", "mas", "etc" e tantas outras causam desorientação, porque não podem ser traduzidas em imagens mentais.

Logo, deve-se evitar leituras em voz alta, é melhor que ele acompanhe quem está lendo e entenda o contexto geral.

Solução pedagógica

Se o aluno é diagnosticado com dislexia ele terá leis e normativas ao seu favor, sendo assim escolas terão que seguir com um programa pedagógico adaptado ao aluno, conforme a Lei n.º 8.069, Estatuto da Criança e do Adolescente — ECA em:

Art. 11, § 1 o A criança e o adolescente com deficiência serão atendidos, sem discriminação ou segregação, em suas necessidades gerais de saúde e específicas de habilitação e reabilitação. (Redação dada pela Lei n.º 13.257, de 2016).

Resolução CNE (Conselho Nacional de Educação) e CEB (Câmara de Educação Básica) número 2, de 11 de setembro de 2001:

“O quadro das dificuldades de aprendizagem absorve uma diversidade de necessidades educacionais, destacadamente aquelas associadas a: dificuldades específicas de aprendizagem como a dislexia e disfunções correlatas; problemas de atenção, perceptivos, emocionais, de memória, cognitivos, psicolinguísticos, psicomotores, motores, de comportamento; e ainda há fatores ecológicos e socio-econômicos, como as privações de caráter sociocultural e nutricional.”

Por isso, é importante vendo dificuldades de aprendizado, os pais devem levar seus filhos ao psicólogo para que a dislexia seja atestada e tenha esses direitos garantidos. Agende uma avaliação agora mesmo aqui na BelaClin.

Com isso, os pais poderão solicitar à escola as seguintes atitudes pedagógicas:

  1. Provas escritas com questões objetivas ou dissertativas, realizadas individualmente ou em grupo, sem ou com consulta.
  2. Provas orais realizadas individualmente ou em grupo, sem ou com consulta.
  3. Testes.
  4. Atividades práticas produzidas e apresentadas através de diferentes expressões e linguagens, envolvendo estudo, pesquisa, criatividade e experiências práticas realizados individualmente ou em grupo, dentro ou fora de classe.
  5. Diários.
  6. Fichas avaliativas.
  7. Observação de comportamento dentro de sala de aula como solidariedade, participação, responsabilidade, disciplina e ética.

É claro que para que tudo dê certo, é preciso um comprometimento por parte do educador e da coordenação da escola, mas com vontade é possível preparar um bom ambiente de aprendizagem ao aluno disléxico, sem grandes mudanças estruturais na instituição, por exemplo:

  • sempre que falar com o aluno, olhar direto para ele, isso fará com que ele preste mais atenção
  • seja direto, claro e objetivo
  • trate o aluno com naturalidade, o diagnóstico não deve ser causa de discriminação
  • tenha contato frequente com ele para aumentar o vínculo e assim ele pode expor suas dificuldades sem medo
  • preste atenção a reação dele para ver se ele está entendendo a explicação, mas não exponha ele aos colegas, converse com ele depois
  • veja como está seu relacionamento com os colegas, os disléxicos se relacionam bem, mas a dificuldade em escrever e ler pode fazer com que colegas se afastem dele quando houver atividades em grupo
  • dê dicas e atalhos que ajudem na elaboração e solução de atividades
  • não o deixe com vergonha pedindo para ler em voz alta na frente dos colegas

Essas dicas podem ajudar muito no processo de aprendizagem e não requer nenhuma grande mudança estrutural na escola, só um pouco mais de dedicação do professor. Além disso, essas informações também podem ser aproveitadas pelos pais em casa.

Conclusão

Como pudemos ver, a dislexia nada tem a ver com TDAH, porém as duas têm em comum as consequências no aprendizado, cada uma por motivos diferentes. Por isso, a melhor solução, que, aliás serve para quaisquer problemas de saúde, é procurar ajuda médica.

Porque as consequências das duas podem ser bem desagradáveis e influenciar em uma vida ruim para os portadores dos dois transtornos. Inclusive afetando o convívio social, principalmente quando em idade escolar.

Então, o primeiro passo é buscar conhecimento sobre a doença e procurar ajuda na psicologia onde o médico poderá indicar o tratamento adequado para cada pessoa, pois os sintomas são individuais, ou seja, cada um apresenta um com maior ou menor intensidade.

Antes de finalizarmos o artigo, preparamos abaixo um bônus com 6 dicas que vão ajudar muito as pessoas que têm dislexia. Confira:

Bônus: 6 dicas para ajudar no aprendizado do disléxico

A dislexia dificulta o processo de aprendizagem da pessoa, porém é possível diminuir essas dificuldades, tornando o ensino mais agradável, divertido e atrativo, por isso, abaixo indicamos alguns sites e aplicativos que ajudam com isso:

  1. Hill Climb Racing: um aplicativo de jogo de carro em 2D que ajuda nas percepções da física como atrito e gravidade.
  2. Aplicativo TED: você já deve conhecer o TED, a maior plataforma de conferências do mundo, com ela é possível assistir muitas palestras de diversos temas sem a necessidade de ler, já que essa é uma dificuldade de quem tem dislexia.
  3. Cola Matemática: esse aplicativo pode até ser usado nas salas de aula para ajudar o aluno a lembrar das fórmulas matemáticas.
  4. Site Dicio: todo mundo tem dificuldades com a língua portuguesa, certo? Então um dicionário pode ajudar e muito na hora da dúvida: será que tem acento, usa ou não usa hífen? Para isso, o site Dicio é uma mão na roda.
  5. Aplicativo Reader da Voice Dream: com esse app você pode transformar o texto em áudio, numa ótima qualidade com suporte para 30 idiomas.
  6. Natural Reader: e se o texto estiver em PDF, ePub, TXT e DocX? Você pode usar este site para transformar o arquivo de texto em áudio.

Com isso você estará facilitando o aprendizado de quem sofre com o transtorno de dislexia, essas dicas também são úteis para quem sofre de TDAH, aliás, essas dicas são boas para todo mundo, aproveite.


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